sexta-feira, 25 de janeiro de 2008

Exaltação ao pioneirismo da cultura negra


Quando falamos da construção da identidade do povo brasileiro a presença africana possui um espaço de destaque nesse contexto, pois mesmo atravessando o oceano em condições subumanas, os africanos encontraram uma forma para introduzir suas raízes em uma terra distante e desconhecida. Nos quatro cantos do país, o elemento africano teve a sabedoria necessária para inserir suas especificidades (crenças e cultura). A arte, culinária e cultura são alguns exemplos em que podemos perceber a influência africana na construção dos pilares da sociedade brasileira.
Na Amazônia, a presença africana também vai ser marcante e em Macapá não vai ser diferente. Os 250 anos da capital do estado do Amapá revelam um capítulo importante da ocupação do espaço amazônico.
De acordo com os registros históricos, os primeiros africanos chegaram a Macapá no século XVIII juntamente com algumas famílias portuguesas que pretendiam colonizar parte do norte da África, mais precisamente Mazagran – hoje Marrocos. Os conflitos religiosos entre mouros e cristãos foi o que motivou a vinda dos lusitanos com os primeiros negros para as terras tucujus.
E quando Macapá completa seus 250 anos ouvi-se falar frequentemente dos pioneiros destas terras. Causa-nos certa apreensão saber se a sociedade irá lembrar dos pioneiros da cultura afro-macapaense. Se isso não acontecer será erro gravíssimo, pois uma das principais características culturais do estado e, sobretudo de Macapá é de origem africana.
É por isso mesmo que nós do movimento hip-hop amapaense temos o compromisso de celebrarmos a resistência da cultura da África à diáspora. Essa postura tem uma explicação muito simples. O hip-hop é um movimento essencialmente negro.

Surgimento

O que hoje conhecemos como movimento hip-hop tem sua origem na Jamaica, quando um DJ chamado Kool Herc cria uma espécie de “canto-falado” baseado em cerimônias religiosas de comunidades tradicionais jamaicanas. A partir daí, temos o embrião do rap (ritmo e poesia em inglês), um dos quatro elementos do hip-hop. É importante ressaltar que esses ritos tradicionais jamaicanos eram praticados por anciãos, chamados de griot (detentores do saber). Isto representa que o hip-hop já nasce tendo como referência a ancestralidade africana. Além disso, quando o movimento hip-hop chega a América do Norte, seu principal propagador será Afrika Bambata, criador de uma das maiores organizações de hip-hop do mundo – a Nação Zulu (Zulu Nation). Mais uma vez o hip-hop faz menção a África.
Ao mesmo tempo em que o movimento toma a cultura africana como referência quebra-se paradigmas, pois o hip-hop propõe uma nova reflexão acerca do continente africano e seus elementos. O hip-hop na sua concepção apresenta uma África não marcada pela miserabilidade e atrocidades, mas sim um continente caracterizado por uma cultura rica e diversificada.
É por esse prisma que o movimento hip-hop amapaense trabalha a cultura negra por meio da música, dança e arte plásticas. Nessa perspectiva, o hip-hop local apresenta o Afro-Ritmos.
O Afro-Ritmos é uma nova proposta cultural que procura fundir ritmos tradicionais negros (marabaixo e batuque) com a capoeira, até chegar no hip-hop. Isso tudo, tendo noções básicas de negritude e resgate da auto-estima de nosso povo e, sobretudo exaltando nossa ancestralidade. O poema musicado “Negras Guerreiras” reflete muito bem essa referência “...Negras parteiras, guerreiras...Mãe Luzia, Guíta, Venina e Maria José Libório...mulheres benzedeiras e cantadeiras...”.
Portanto, acreditamos que é na preservação da nossa memória que se mantém viva a chama da resistência negra. Então, nos 250 anos de Macapá, celebremos os pioneiros da cultura afro-macapaense.

sábado, 12 de janeiro de 2008

TERRAS DE QUILOMBO EM PERIGO

O governo anunciou mudanças na legislação que define os direitos dos quilombolas que prometem levar polêmica à questão. Os integrantes dos movimentos negros acusam a administração federal de ceder à pressão da bancada ruralista. Para eles, é um recuo alterar o Decreto 4.887, de 2003, que prevê a regularização das terras de remanescentes de quilombos. A oposição e os integrantes da bancada ruralista, por sua vez, apresentaram um decreto legislativo, a ser discutido amanhã na Comissão de Agricultura a Câmara, que na prática anula os efeitos do decreto do presidente Lula.

"O governo não nos ouviu para fazer as mudanças e já nos manifestamos contra. Houve um recuo por conta da grande pressão dos ruralistas, latifundiários e multinacionais do setor", disse a assessora política da Coordenação Nacional dos Quilombos, Jô Brandão. A principal mudança, segundo ela, é a que estabelece um limite físico para a ocupação de áreas pelos quilombolas. Assim, eles só poderiam pedir a posse legal das terras que já ocupam. "Se é para fazer a titulação das áreas ocupadas, o governo nem precisa perder tempo", criticou.

Segundo a Advocacia-Geral da União (AGU), as mudanças permitirão que os processos de reconhecimento e titulação se tornem mais imparciais e transparentes, evitando contestações judiciais. Há 590 processos de titulação em andamento.

Presidente da Comissão de Agricultura, o deputado Valdir Colatto (PMDB-SC), afirmou que vai pedir urgência na tramitação do projeto que susta o decreto presidencial, de sua autoria. "O ato do presidente Lula passa a legislar ao criar a reforma agrária por decreto." A maior crítica dos ruralistas é a respeito da opção de autodefinição, ou seja, que as próprias comunidades possam se definir como quilombolas. "Nossa proposta sairá vencedora em plenário porque ela segue a Constituição, ao garantir para os quilombolas as áreas em que vivem", disse Colatto.

A nova norma só passará a valer após duas rodadas de consulta aos movimentos sociais envolvidos, como prevê a convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT),
da qual o Brasil é signatário. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Willy Miranda É REPRESENTATE DA JUVENTUDE NO CONSELHO NACIONAL DE PROMOÇÃO DA IGUALDADE RACIAL

A Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), órgão ligado à Presidência da República e liderado pela ministra Matilde Ribeiro, consedeu as boas vindas ao conselheiro representade da Juventude Negra do Brasil Willy Miranda no Conselho Nacional de Promoção da Igualdade Racial (CNPIR). O Conselho é um órgão colegiado de caráter consultivo e integrante da estrutura básica da Seppir, que tem como finalidade propor, em âmbito nacional, políticas de promoção da igualdade racial com ênfase na população negra e outros segmentos raciais e étnicos da população brasileira. O objetivo do Conselho, além de combater o racismo, é superar as desigualdades raciais, tanto do ponto de vista econômico como social, político e cultural, ampliando, assim, os processos de controle social sobre as referidas políticas. O CNPIR é constituído por 20 representantes efetivos de entidades da sociedade civil, com seus respectivos suplentes, e 20 representantes do governo federal - ministros e secretários de Estado. Sobre a Seppir Criada em 21 de março de 2003, "Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial", a Secretaria Especial de Políticas de Promoção para a Igualdade Racial (Seppir) tem por missão promover a igualdade e a proteção dos direitos de indivíduos e grupos raciais e étnicos afetados pela discriminação e demais formas de intolerância com ênfase na população negra; acompanhar e coordenar políticas de diferentes ministérios e outros órgãos do Governo Brasileiro para a promoção da igualdade racial; articular, promover e acompanhar a execução de diversos programas de cooperação com organismos públicos e privados, nacionais e internacionais e o cumprimento de acordos e convenções internacionais assinados pelo Brasil, que digam respeito à promoção da igualdade e combate à discriminação racial ou étnica. Além de auxiliar o Ministério das Relações Exteriores nas políticas internacionais, no que se refere à aproximação de nações do Continente Africano, a Seppir tem como referência política o "Programa Brasil sem Racismo" que abrange a implementação de políticas públicas nas áreas do trabalho, emprego e renda; cultura e comunicação; educação; saúde, terras de quilombos, mulheres negras, juventude, segurança e relações internacionais

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

CABOCLA, INDIGENA... DE CORAÇÃO QUILOMBOLA

Roseane Viana... Macapaense, amapaense do berço caboclo, guerreira indígena da Amazônia e nortista africana de coração. É assim que reconheço o trabalho e esforço feito por esta mulher brasileira defensora dos genocídios da população negra na saúde.

Na conclusão do seu curso de Nutrição com seu TCC que diagnosticou a situação nutricional da comunidade quilombola do Curiaú... No ministério da saúde trabalhou no combate a fome das comunidades negras brasileira e enfrentando muitas das vezes situações que fariam á desistir... mas ta ai na luta.

Em poucas palavras para falar de uma grande pessoa!!!

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

O Rap Bate Forte no Extremo Norte















No último sábado, 15, rolou no Centro de Cultura Negra do Amapá, o Baile “O Rap Bate Forte”, realizado pela Força Amapaense de Hip-Hop – FAHH. Pra ser sincero, fazia uma cara que a rapaziada e moçada ligada ao rap amapaense não se encontrava dessa maneira pra desenrolar uma situação dessas. O último encontro foi no final de setembro durante o I HIP-HOP no Quilombo.

Fiquei extremamente contente em ver o povo do hip-hop e adeptos do movimento num evento que teve o lançamento do CD demo do grupo Relatos de Rua. Mas foi outro grupo que apresentou várias músicas novas. Pra minha satisfação, o Função Real fez um som pra agitar toda a rapa. Realmente os irmãos têm a manha de fazer um rap autêntico e como diz o refrão de um dos sons dos caras – isso “é rap de caboclo!”

O Máfia Nortista por sua vez também representou muito bem, Sid, Branco e Ramon mostraram toda a qualidade do nosso rap. Na real, eles prepararam o terreno pro debutante da noite – o mano Vida Loka, que em nenhum momento ficou acanhado e representou muito bem a família Máfia Nortista.

Mais uma vez o Raciocínio da Ponte roubou a cena e abalou as estruturas do Centro de Cultura Negra. Logo de início o RDP mandou “Luz no Fim do Túnel”, um som que já tá na ponta da língua da rapaziada que curte o rapa amapaense. Mas o ponto alto da apresentação dos malucos foi um som que narra a trajetória do hip-hop do Amapá. Definitivamente Nena e Max já consolidaram o espaço do RDP na cena do rap macapaense.

Ouve também o momento de nostalgia, quando Sid, Emerson e Poca relembraram os tempos de CRGV cantando Pororoca Sonora e o Josiel mostrou que o Atitude Consciente ainda faz a massa agitar com Assassinos do Tempo. Pra finalizar o baile, rolou uma batalha de MC’s só pra descontrair e estimular umas rimas improvisadas entre a rapa.

Na minha humilde opinião, esse baile serviu como um gás novo na correria do rap do Amapá que teve um momento de ostracismo, mas que começou a se reerguer no final de outubro e inicio de novembro quando estiveram aqui em Macapá grandes parceiros do hip-hop nortista como o Denny (AM) e o DJ RG (PA).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

Rompendo paradigmas e buscando novas perspectivas




Se misturarmos hip-hop, capoeira, marabaixo, batuque e dança afro. Qual será o resultado??? O resultado dessa miscelânea de elementos da cultura negra é muito simples – é AFRO-RITMOS.
O AFRO-RITMOS é uma nova proposta cultural que procura fundir ritmos tradicionais negros (marabaixo e batuque) com a capoeira, até chegar no hip-hop. Isso tudo, tendo noções básicas de negritude e resgate da auto-estima de nosso povo. É importante frisar que o AFRO-RITMOS é um projeto desenvolvido dentro de uma comunidade quilombola – o Curiaú.
Tudo iniciou em junho deste ano, quando o Movimento Afro Jovem do Amapá – MOAJA decide realizar algumas atividades dentro do quilombo. A partir de então, crianças e jovens passam a ter contato com a capoeira, através do irmão Bicudo; e o hip-hop, por meio da Crew Mec Loucos (B. boys) e mais tarde o nosso irmão Marcelo abraçou o projeto e o hoje reforça o time responsável pelo projeto. Isso sem deixar de trabalhar a questão racial dentro dessa proposta cultural.

Relevância do Trabalho

Na real, esse projeto é importante porque agrega jovens e adolescentes quilombolas numa perspectiva de proporcionar-lhes um novo olhar, uma nova postura diante de uma sociedade racista, que atua de forma bastante maliciosa e covarde. Nesse contexto, o AFRO-RITMOS busca construir no seu público-alvo, jovens conscientes de sua negritude e, assumi-la é a nossa principal arma para combater o racismo e preparar nossas crianças e jovens para enfrentar a sociedade racista.
Por meio de práticas culturais de origem negra conseguimos oportunizar a possibilidade de mudança de atitude destes jovens que, encontraram no AFRO-RITMOS, um porto seguro para a reconstrução do orgulho negro amapaense.
Sendo assim, o AFRO-RITMOS já começa a ocupar alguns espaços importantes na cena cultural amapaense. Um exemplo disso foi a participação do grupo no Projeto Botequim do Sesc/Araxá e no ato show da Caminhada Zumbi dos Palmares deste ano.


segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Governo recua, dizem entidades


Brasília - A nova Instrução Normativa que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) pretende baixar modificando a Instrução em vigor desde 2.005 (a de nº 20/2005) representa um recuo do governo brasileiro no reconhecimento dos direitos das comunidades quilombolas já assegurados pela Constituição.
Segundo lideres das comunidades remanescentes de Quilombos, e de entidades como a Comissão Pró-Indío de São Paulo e Justiça Global, as mudanças pretendidas pelo Governo atendem aos interesses do setor ruralista e de algumas corporações multinacionais, que tem desencadeado uma verdadeira guerra contra os direitos das comunidades.
Entre outros boatos, como parte da campanha desencadeada contra direitos históricos dessas populações, os fazendeiros estão espalhando que os quilombolas reivindicam 25% do território brasileiro e que as terras seriam tomadas de fazendeiros e empresas sem o processo de desapropriação.

Retrocesso
A nova instrução inviabiliza, na prática, a titulação das terras de Quilombo ao instituir uma série de novos entraves burocráticos no procedimento administrativo, como estudos extensos, dispendiosos e demorados, e maior espaço para as contestações de terceiros.
O Incra está submetendo a nova Instrução a uma consulta pública, até o dia 17 deste mês, porém, essa atitude também é criticada. “A chamada “consulta”, convocada de última hora pela Advocacia Geral da União, não se configura como um verdadeiro processo participativo e democrático. Os quilombolas estão sendo convocados no final do processo de revisão da instrução que se desenrola há pelo menos dois meses apenas para referendar um texto já acabado", afirma manifesto que está sendo divulgado.
Para tentar reverter a situação, entidades como o Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, além do Balcão de Direitos da Universidade Federal do Espírito Santo, estão pedindo que sejam enviadas mensagens à Ministra Dilma Rouseff, da Casa Civil, a José Antonio Dias Toffoli, da Advocacia Geral da União, e ao Presidente do Incra, Rolf Hackbart, protestando pela medida e pedindo a manutenção da Instrução Normativa em vigor. As mensagens deverão ser encaminhadas com cópias para terra-quilombo@ cpisp.org. br

Veja as entidades e os endereços eletrônicos das autoridades

Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos
cohreamericas@cohre.org
Comissão Pró-Índio de São Paulo
cpisp@cpisp.org.br
Justiça Global
global@global.org.br
Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
territoriosnegros@ koinonia.org.br
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
rede@social.org.br
Balcão de Direitos
Universidade Federal do Espírito Santo
balcaodedireitos_es@yahoogrupos.com.br
Dilma Vana Rousseff
Ministra-Chefe da Casa Civil
casacivil@planalto.gov.br
Josi Antonio Dias Toffoli
Advogado Geral da União
fax: (61) 3344-0243
gabinete.ministro@agu.gov.br
Rolf Hackbart
Presidente do Incra
rolf.hackbart@incra.gov.br


Fonte: afropress.com

IDH Brasil é alto, mas o de negros é apenas médio, diz Paixão

Embora o governo tenha comemorado o fato de o Brasil ter entrado para o grupo de países com alto desenvolvimento humano (IDH), a população negra brasileira não saiu da situação de desvantagem histórica. Apesar da melhora em alguns indicadores como, por exemplo, os educacionais, o IDH branco é elevado e o dos negros continua sendo apenas médio.
Em alguns casos, como no rendimento domiciliar per capita, a desvantagem, inclusive, aumentou: passou de 15,7% para 17,8% favoravelmente aos brancos, no período de 10 anos – de 1.995 a 2005.
As conclusões são do professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e constarão do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-2008, a ser divulgado, e foram adiantadas com exclusividade para a Afropress. “Comparando com os indicadores analisados no ano 2000, no qual o hiato em termos de posições era de 60 posições, podemos considerar que ocorreu uma redução de 16 posições, o que é um fato positivo, especialmente por vir se dando dentro de um contexto de debate sobre o tema das ações afirmativas e de políticas de promoção da igualdade racial. Todavia, as distâncias nos respectivos IDHs permanecem pronunciadas”, ressaltou.
O IDH é um ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e é utilizado para medir o nível de desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula) longevidade (expectativa de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Seus valores variam de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Países com IDH até 0,499 são considerados de desenvolvimento humano baixo; com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de desenvolvimento humano médio; e com índices maiores que 0,800 são considerados de desenvolvimento humano alto.
Pela primeira vez, o Brasil entrou para o grupo de países de "alto desenvolvimento humano", atingindo IDH de 0,800.

Silênciamento
Segundo Paixão, que é economista e coordena o Observatório Afro-Brasileiro, no contexto anterior de silenciamento absoluto sobre o tema, os indicadores das assimetrias raciais brasileiras raramente apresentavam reduções relativas. Entre 1995 e 2005, o IDH dos brancos brasileiros avançou 6,2% (de 0,798 para 0,847) ao passo que dos negros avançou 10,6% (de 0,691 para 0,764).
Assim, em 2005, o IDH branco o situaria na 47ª posição (melhor que o Brasil como um todo em 23 posições), entre a Croácia e a Costa Rica, ao passo que o IDH negro se situaria na 92ª posição, entre a Tunísia e as Ilhas Fidji (pior que o Brasil em 22 posições). “Como se pode constatar, o IDH branco é elevado, ao passo que o negro é apenas médio. Lido por outro ângulo, o IDH dos negros, em 2005, era inferior ao IDH dos brancos dez anos antes”, acrescenta.
O professor da UFRJ explica que aconteceu uma redução das assimetrias (diferenças) em termos de esperança de vida ao nascer cujas diferenças relativas se reduziram de 8,6% favoravelmente aos brancos em, 1.995, para 4,5%, em 2.005. Também em relação aos dados educacionais (analfabetismo e taxa bruta de escolaridade), as distâncias também se reduziram no período. “A taxa de alfabetização dos brancos acima de 15 anos de idade passou de 90%, em 1.995, para 93%, em 2.005. Já entre os negros a taxa de alfabetização de adultos passou de 76%, em 1.995, para 85%, em 2.005. A taxa bruta de escolaridade dos brancos entre 1.995 e 2.005 passou de 78% para 91%, e dos negros, no mesmo período de 68% para 84%.


Fonte: afropress.com

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

terça-feira, 27 de novembro de 2007

" Intelectuais" assinam manifesto contra Estatuto da Igualdade Racial


Documento assinado por 114 pessoas alerta que projeto
vai dividir País e acentuar racismo, em vez de combatê-lo

Rosa Costa e
Roldão Arruda

O debate sobre a promoção da igualdade racial ganhou ontem nova amplitude. À tarde, no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ele e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), receberam um documento que se opõe de forma veemente aos projetos de lei de cotas raciais e do Estatuto da Igualdade Racial, que tramitam no Congresso.

Entregue pela antropóloga Yvonne Maggie, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pelo militante negro José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista, o texto é assinado por 114 pessoas, a maioria pesquisadores acadêmicos. Eles argumentam que, em vez de acabar com a discriminação, os projetos podem acentuá-la. "Corremos o risco de dividir a Nação brasileira entre brancos e negros", disse a antropóloga, durante a conversa com os parlamentares.


Entre os signatários do documento figuram alguns dos mais respeitados nomes nos departamentos de ciência política e antropologia das universidades brasileiras, como Gilberto Velho, Eunice Durhan, Luiz Werneck Vianna, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Oliveiros Ferreira, Wanderley Guilherme dos Santos, além de artistas como Caetano Veloso, Ferreira Gullar e Zelito Viana. Na opinião deles, o estatuto passará a definir os direitos da pessoa com base na cor da pele, pela raça, prática "cujas tentativas já foram dolorosamente condenadas pela história".

Para Yvonne Maggie, a melhor forma de combater o racismo é eliminar o conceito de raça e encontrar outras formas de inclusão, como o aumento do número de vagas nas universidades p
úblicas. O manifesto sustenta que "a adoção de identidades raciais não deve ser imposta e regulada pelo Estado". Defende, ainda, que "políticas dirigidas a grupos sociais estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até produzir efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância".

O texto conclui da seguinte maneira: "A verdade amplamente reconhecida é que o principal caminho para o combate à exclusão social é a construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e previdência e em especial a criação de empregos. Estas metas só poderão ser alcançadas pelo esforço comum de cidadãos de todos os tons de pele contra privilégios odiosos que limitam o alcance do princípio republicano da igualdade política e jurídica."

Renan concordou que serão necessárias mais discussões sobre os projetos das cotas e do estatuto "para evitar que provoquem novas divisões na sociedade". Aldo disse que é preciso entender melhor como se dá a prática de racismo no Brasil para a adoção de políticas adaptadas à realidade nacional.

A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade
Racial, criticou o documento. Em entrevista ao Estado, afirmou que, embora se diga que somos todos iguais perante a lei, com os mesmos direitos, isso não ocorre no cotidiano dos brasileiros. "Há estudos de acadêmicos respeitados, como os de Fulvia Rosenberg, da Fundação Carlos Chagas, segundo os quais erramos quando dizemos evasão escolar em relação à população negra, porque na verdade os negros são expulsos dos bancos escolares", disse.

A ministra lembrou, também, que estão sendo discutidas medidas emergenciais, que não devem permanecer ao longo da história. "É para atender a uma situação marcada por disparidades e desigualdades. Haverá um dia em que não necessitaremos mais dessas leis."

As considerações dos acadêmicos, segundo Matilde, são bem-vindas e ajudam a enriquecer o debate. "Não podem impedir, no entanto, a execução de uma agenda do poder público, nem se sobrepor à análise do nosso cotidiano, no qual, em pleno século 21, as populações negras e indígenas estão excluídas dos bens e serviços públicos."

Para a ministra, não existe divergência entre ela e os intelectuais sobre conceitos relacionados à questão racial. As divergências referem-se à forma de combate às desigualdades. "Não se combate a exclusão apenas com políticas de universalização dos serviços. São necessárias ações afirmativas em situações emergenciais."

A idéia do documento com a assinatura de um conjunto de intelectuais, artistas e representantes do movimento negro surgiu a partir da publicação de artigos isolados em jornais e publicações acadêmicas. Teve rápida adesão. Segundo o cientista político Luiz Werneck Vianna, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), o tema ainda não foi devidamente discutido. "Estamos diante da possibilidade de vermos aprovados um projeto que pode deixar um rastro muito triste na história do País, uma cunha racial", disse ele.

OBS: Esses fatos ficam difíceis de explicar ou de entender, pois existe o Movimento Negro Socialista - MNS do Partido Socialista Brasileiro – PSB e doa acadêmicos e intelectuais do Partido dos Trabalhadores – PT. Isso nos deixa confuso quando sai em reide nacional que nem ontem!!!!