sexta-feira, 21 de dezembro de 2007
O Rap Bate Forte no Extremo Norte
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
Rompendo paradigmas e buscando novas perspectivas

Se misturarmos hip-hop, capoeira, marabaixo, batuque e dança afro. Qual será o resultado??? O resultado dessa miscelânea de elementos da cultura negra é muito simples – é AFRO-RITMOS.
O AFRO-RITMOS é uma nova proposta cultural que procura fundir ritmos tradicionais negros (marabaixo e batuque) com a capoeira, até chegar no hip-hop. Isso tudo, tendo noções básicas de negritude e resgate da auto-estima de nosso povo. É importante frisar que o AFRO-RITMOS é um projeto desenvolvido dentro de uma comunidade quilombola – o Curiaú.
Tudo iniciou em junho deste ano, quando o Movimento Afro Jovem do Amapá – MOAJA decide realizar algumas atividades dentro do quilombo. A partir de então, crianças e jovens passam a ter contato com a capoeira, através do irmão Bicudo; e o hip-hop, por meio da Crew Mec Loucos (B. boys) e mais tarde o nosso irmão Marcelo abraçou o projeto e o hoje reforça o time responsável pelo projeto. Isso sem deixar de trabalhar a questão racial dentro dessa proposta cultural.
Relevância do Trabalho
Na real, esse projeto é importante porque agrega jovens e adolescentes quilombolas numa perspectiva de proporcionar-lhes um novo olhar, uma nova postura diante de uma sociedade racista, que atua de forma bastante maliciosa e covarde. Nesse contexto, o AFRO-RITMOS busca construir no seu público-alvo, jovens conscientes de sua negritude e, assumi-la é a nossa principal arma para combater o racismo e preparar nossas crianças e jovens para enfrentar a sociedade racista.
Por meio de práticas culturais de origem negra conseguimos oportunizar a possibilidade de mudança de atitude destes jovens que, encontraram no AFRO-RITMOS, um porto seguro para a reconstrução do orgulho negro amapaense.
Sendo assim, o AFRO-RITMOS já começa a ocupar alguns espaços importantes na cena cultural amapaense. Um exemplo disso foi a participação do grupo no Projeto Botequim do Sesc/Araxá e no ato show da Caminhada Zumbi dos Palmares deste ano.
segunda-feira, 10 de dezembro de 2007
Governo recua, dizem entidades
Brasília - A nova Instrução Normativa que o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) pretende baixar modificando a Instrução em vigor desde 2.005 (a de nº 20/2005) representa um recuo do governo brasileiro no reconhecimento dos direitos das comunidades quilombolas já assegurados pela Constituição.
Segundo lideres das comunidades remanescentes de Quilombos, e de entidades como a Comissão Pró-Indío de São Paulo e Justiça Global, as mudanças pretendidas pelo Governo atendem aos interesses do setor ruralista e de algumas corporações multinacionais, que tem desencadeado uma verdadeira guerra contra os direitos das comunidades.
Entre outros boatos, como parte da campanha desencadeada contra direitos históricos dessas populações, os fazendeiros estão espalhando que os quilombolas reivindicam 25% do território brasileiro e que as terras seriam tomadas de fazendeiros e empresas sem o processo de desapropriação.
Retrocesso
A nova instrução inviabiliza, na prática, a titulação das terras de Quilombo ao instituir uma série de novos entraves burocráticos no procedimento administrativo, como estudos extensos, dispendiosos e demorados, e maior espaço para as contestações de terceiros.
O Incra está submetendo a nova Instrução a uma consulta pública, até o dia 17 deste mês, porém, essa atitude também é criticada. “A chamada “consulta”, convocada de última hora pela Advocacia Geral da União, não se configura como um verdadeiro processo participativo e democrático. Os quilombolas estão sendo convocados no final do processo de revisão da instrução que se desenrola há pelo menos dois meses apenas para referendar um texto já acabado", afirma manifesto que está sendo divulgado.
Para tentar reverter a situação, entidades como o Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos e Rede Social de Justiça e Direitos Humanos, além do Balcão de Direitos da Universidade Federal do Espírito Santo, estão pedindo que sejam enviadas mensagens à Ministra Dilma Rouseff, da Casa Civil, a José Antonio Dias Toffoli, da Advocacia Geral da União, e ao Presidente do Incra, Rolf Hackbart, protestando pela medida e pedindo a manutenção da Instrução Normativa
Veja as entidades e os endereços eletrônicos das autoridades
Centro pelo Direito à Moradia contra Despejos
cohreamericas@cohre.org
Comissão Pró-Índio de São Paulo
cpisp@cpisp.org.br
Justiça Global
global@global.org.br
Koinonia Presença Ecumênica e Serviço
territoriosnegros@ koinonia.org.br
Rede Social de Justiça e Direitos Humanos
rede@social.org.br
Balcão de Direitos
Universidade Federal do Espírito Santo
balcaodedireitos_es@yahoogrupos.com.br
Dilma Vana Rousseff
Ministra-Chefe da Casa Civil
casacivil@planalto.gov.br
Josi Antonio Dias Toffoli
Advogado Geral da União
fax: (61) 3344-0243
gabinete.ministro@agu.gov.br
Rolf Hackbart
Presidente do Incra
rolf.hackbart@incra.gov.br
Fonte: afropress.com
IDH Brasil é alto, mas o de negros é apenas médio, diz Paixão
Embora o governo tenha comemorado o fato de o Brasil ter entrado para o grupo de países com alto desenvolvimento humano (IDH), a população negra brasileira não saiu da situação de desvantagem histórica. Apesar da melhora em alguns indicadores como, por exemplo, os educacionais, o IDH branco é elevado e o dos negros continua sendo apenas médio.
Em alguns casos, como no rendimento domiciliar per capita, a desvantagem, inclusive, aumentou: passou de 15,7% para 17,8% favoravelmente aos brancos, no período de 10 anos – de
As conclusões são do professor Marcelo Paixão, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e constarão do Relatório Anual das Desigualdades Raciais no Brasil 2007-
O IDH é um ranking do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e é utilizado para medir o nível de desenvolvimento humano dos países a partir de indicadores de educação (alfabetização e taxa de matrícula) longevidade (expectativa de vida ao nascer) e renda (PIB per capita). Seus valores variam de 0 (nenhum desenvolvimento humano) a 1 (desenvolvimento humano total). Países com IDH até 0,499 são considerados de desenvolvimento humano baixo; com índices entre 0,500 e 0,799 são considerados de desenvolvimento humano médio; e com índices maiores que 0,800 são considerados de desenvolvimento humano alto.
Pela primeira vez, o Brasil entrou para o grupo de países de "alto desenvolvimento humano", atingindo IDH de 0,800.
Silênciamento
Segundo Paixão, que é economista e coordena o Observatório Afro-Brasileiro, no contexto anterior de silenciamento absoluto sobre o tema, os indicadores das assimetrias raciais brasileiras raramente apresentavam reduções relativas. Entre 1995 e 2005, o IDH dos brancos brasileiros avançou 6,2% (de 0,798 para 0,847) ao passo que dos negros avançou 10,6% (de 0,691 para 0,764).
Assim, em 2005, o IDH branco o situaria na 47ª posição (melhor que o Brasil como um todo em 23 posições), entre a Croácia e a Costa Rica, ao passo que o IDH negro se situaria na 92ª posição, entre a Tunísia e as Ilhas Fidji (pior que o Brasil em 22 posições). “Como se pode constatar, o IDH branco é elevado, ao passo que o negro é apenas médio. Lido por outro ângulo, o IDH dos negros, em 2005, era inferior ao IDH dos brancos dez anos antes”, acrescenta.
O professor da UFRJ explica que aconteceu uma redução das assimetrias (diferenças) em termos de esperança de vida ao nascer cujas diferenças relativas se reduziram de 8,6% favoravelmente aos brancos em, 1.995, para 4,5%, em 2.005. Também em relação aos dados educacionais (analfabetismo e taxa bruta de escolaridade), as distâncias também se reduziram no período. “A taxa de alfabetização dos brancos acima de 15 anos de idade passou de 90%, em 1.995, para 93%, em 2.005. Já entre os negros a taxa de alfabetização de adultos passou de 76%, em 1.995, para 85%, em 2.005. A taxa bruta de escolaridade dos brancos entre 1.995 e 2.005 passou de 78% para 91%, e dos negros, no mesmo período de 68% para 84%.
Fonte: afropress.com
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
terça-feira, 27 de novembro de 2007
" Intelectuais" assinam manifesto contra Estatuto da Igualdade Racial
vai dividir País e acentuar racismo, em vez de combatê-lo
Rosa Costa e
Roldão Arruda
O debate sobre a promoção da igualdade racial ganhou ontem nova amplitude. À tarde, no gabinete do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ele e o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), receberam um documento que se opõe de forma veemente aos projetos de lei de cotas raciais e do Estatuto da Igualdade Racial, que tramitam no Congresso.
Entregue pela antropóloga Yvonne Maggie, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e pelo militante negro José Carlos Miranda, do Movimento Negro Socialista, o texto é assinado por 114 pessoas, a maioria pesquisadores acadêmicos. Eles argumentam que, em vez de acabar com a discriminação, os projetos podem acentuá-la. "Corremos o risco de dividir a Nação brasileira entre brancos e negros", disse a antropóloga, durante a conversa com os parlamentares.
Entre os signatários do documento figuram alguns dos mais respeitados nomes nos departamentos de ciência política e antropologia das universidades brasileiras, como Gilberto Velho, Eunice Durhan, Luiz Werneck Vianna, Maria Hermínia Tavares de Almeida, Oliveiros Ferreira, Wanderley Guilherme dos Santos, além de artistas como Caetano Veloso, Ferreira Gullar e Zelito Viana. Na opinião deles, o estatuto passará a definir os direitos da pessoa com base na cor da pele, pela raça, prática "cujas tentativas já foram dolorosamente condenadas pela história".
Para Yvonne Maggie, a melhor forma de combater o racismo é eliminar o conceito de raça e encontrar outras formas de inclusão, como o aumento do número de vagas nas universidades públicas. O manifesto sustenta que "a adoção de identidades raciais não deve ser imposta e regulada pelo Estado". Defende, ainda, que "políticas dirigidas a grupos sociais estanques em nome da justiça social não eliminam o racismo e podem até produzir efeito contrário, dando respaldo legal ao conceito de raça e possibilitando o acirramento do conflito e da intolerância".
O texto conclui da seguinte maneira: "A verdade amplamente reconhecida é que o principal caminho para o combate à exclusão social é a construção de serviços públicos universais de qualidade nos setores de educação, saúde e previdência e em especial a criação de empregos. Estas metas só poderão ser alcançadas pelo esforço comum de cidadãos de todos os tons de pele contra privilégios odiosos que limitam o alcance do princípio republicano da igualdade política e jurídica."
Renan concordou que serão necessárias mais discussões sobre os projetos das cotas e do estatuto "para evitar que provoquem novas divisões na sociedade". Aldo disse que é preciso entender melhor como se dá a prática de racismo no Brasil para a adoção de políticas adaptadas à realidade nacional.
A ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, criticou o documento. Em entrevista ao Estado, afirmou que, embora se diga que somos todos iguais perante a lei, com os mesmos direitos, isso não ocorre no cotidiano dos brasileiros. "Há estudos de acadêmicos respeitados, como os de Fulvia Rosenberg, da Fundação Carlos Chagas, segundo os quais erramos quando dizemos evasão escolar em relação à população negra, porque na verdade os negros são expulsos dos bancos escolares", disse.
A ministra lembrou, também, que estão sendo discutidas medidas emergenciais, que não devem permanecer ao longo da história. "É para atender a uma situação marcada por disparidades e desigualdades. Haverá um dia em que não necessitaremos mais dessas leis."
As considerações dos acadêmicos, segundo Matilde, são bem-vindas e ajudam a enriquecer o debate. "Não podem impedir, no entanto, a execução de uma agenda do poder público, nem se sobrepor à análise do nosso cotidiano, no qual, em pleno século 21, as populações negras e indígenas estão excluídas dos bens e serviços públicos."
Para a ministra, não existe divergência entre ela e os intelectuais sobre conceitos relacionados à questão racial. As divergências referem-se à forma de combate às desigualdades. "Não se combate a exclusão apenas com políticas de universalização dos serviços. São necessárias ações afirmativas em situações emergenciais."
A idéia do documento com a assinatura de um conjunto de intelectuais, artistas e representantes do movimento negro surgiu a partir da publicação de artigos isolados em jornais e publicações acadêmicas. Teve rápida adesão. Segundo o cientista político Luiz Werneck Vianna, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), o tema ainda não foi devidamente discutido. "Estamos diante da possibilidade de vermos aprovados um projeto que pode deixar um rastro muito triste na história do País, uma cunha racial", disse ele.
OBS: Esses fatos ficam difíceis de explicar ou de entender, pois existe o Movimento Negro Socialista - MNS do Partido Socialista Brasileiro – PSB e doa acadêmicos e intelectuais do Partido dos Trabalhadores – PT. Isso nos deixa confuso quando sai em reide nacional que nem ontem!!!!
Justiça homenageia Luiz Gama
Fonte: Afropress.com
Lula cobra postura mais rigorosa dos movimento negros

segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Que Consciência???

Então resolvi escurecer a idéia do que é o dia 20 de novembro... pois, preservar a memória é uma das formas de construir a história. É pela disputa dessa memória, dessa história, que nos últimos 32 anos se comemora no dia 20 de novembro, o "Dia Nacional da Consciência Negra". Nessa data, em 1695, foi assassinado Zumbi, um dos últimos líderes do Quilombo dos Palmares, que se transformou em um grande ícone da resistência negra ao escravismo e da luta pela liberdade. Para o historiador Flávio Gomes, do Departamento de História da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a escolha do 20 de novembro foi muito mais do que uma simples oposição ao 13 de maio: "os movimentos sociais escolheram essa data para mostrar o quanto o país está marcado por diferenças e discriminações raciais. Foi também uma luta pela visibilidade do problema. Isso não é pouca coisa, pois o tema do racismo sempre foi negado, dentro e fora do Brasil. Como se não existisse".
sexta-feira, 23 de novembro de 2007
Jo Soares rí das angolanass!! Deprimente!!!

quinta-feira, 15 de novembro de 2007
A chamada "Lei da Mordaça" em prática
Exibido pela Band, Rede TV! e CNT entre 12h e 17h, o "Vitória em Cristo" está fazendo campanha para que evangélicos enviem e-mails a senadores contra a aprovação de "lei que beneficia a homossexualidade" _na verdade, projeto que torna crime a discriminação sexual e de orientação sexual.
No programa, Malafaia (que compra horários nas TVs) defende que "ninguém nasce homossexual", porque "não existe cromossomo homossexual". Diz que o homossexualismo é "distorção" e "aberração".
Malafaia argumenta que não ofende os gays, que apenas os critica. Impedir isso, diz, seria censura. "No Brasil, você critica Deus, o Diabo, a Igreja Católica, os evangélicos, os políticos. Mas os homossexuais são incriticáveis. Se criticar, é chamado de homofóbico. Isso é pior do que Hugo Chávez e Fidel Castro. Já falei para o ministro Tarso Genro que, se censurarem meu programa, esse governo será chamado de preconceituoso", afirma o pastor. "[Folha de São Paulo 26/10/2007]
Eis o pastor em seu programa:
Parte 1/4 http://www.youtube.com/watch?v=LRRo6DIg
Parte 2/4 http://www.youtube.com/watch?v=4aMxhyfS
Parte 3/4 http://www.youtube.com/watch?v=tvzrKoj9
Parte 4/4 http://www.youtube.com/watch?v=guELfBEz
Pois é. Combatendo homofobia com crentofobia!
MEUS COMENTARIOS:
NENHUMA religião prega que gay deva ser excluído da família
NENHUMA religião prega que gay deva ser barrado em local público
NENHUMA religião prega que gay não possa ser admitido em emprego
NENHUMA religião prega violencia ou ódio contra gays
E principalmente
NENHUMA religião prega que gay não tem direitos nem deva lutar por eles.
As religiões e igrejas só falam que é pecado. Pode ir lá o maior assassino do mundo, é somente um pecador. E pecado pode ser perdoado. Se um gay quiser frequentar uma igreja vai ter que se adaptar. Não é o meio que se adapta ao indivíduo, mas o contrário.
Só que...
Numa igreja vai quem quer e tudo lugar tem regras. Modelos tem que ser magras, policiais não podem usar brincos ou ter cabelo rastafari, motorista de taxi não pode ser cego e telefonista não pode ser surda. Nada disso é visto como preconceito.
Se o bispo Marcelo Crivella, o padre Marcelo, o papa, o aiatolá, o dalai lama, o rabino Sobel ou qualquer representante de qualquer religião disser que fumar é pecado, não está discriminando os fumantes. Mas falou que homossexualismo é pecado, então é preconceito, discriminação, tem que processar, prender, exigir indenização.
Como diz nos vídeos, nada nem ninguém é incriticável. Podemos criticar o governo, a política, a própria igreja. Pq o homossexualismo está acima de qualquer crítica? As religiões condenam o homossexualismo como pecado. Só! Todo mundo, seja o presidente, o papa, todos podem ser pecadores, mas pq só os gays não podem? Gay não peca? É um ser perfeito?
TODAS MARCHANDO CONTRA O RACISMO E O MACHISMO!
DIA 20 DE NOVEMBRO DE 2007
IV MARCHA DA CONSCIÊNCIA NEGRA
Dia 20 de novembro é o dia da consciência negra,
esse ano teremos a IV edição da Marcha da Consciência Negra.
Nós da Marcha Mundial das Mulheres mais uma vez estaremos presente
com nosso bloco por um mundo sem racismo e machismo!
A Marcha Mundial das Mulheres se encontrará às 13:30hs
no Vão Livre do MASP (próximo a Estação TRIANON-MASP do Metrô)
Venha e traga sua faixa e seus tambores!
Mulherada da MMM: concentração às 13h30 no vão livre do MASP
PS: A concentração geral da Marcha da Consciência Negra
está marcada para às 10h e a passeata para as 14h
quinta-feira, 8 de novembro de 2007
20/11 - Feriado também é dia reflexão
Ainda não é este que o Brasil terá um feriado nacional em homenagem ao líder Zumbi dos Palmares. Em várias cidades do Brasil, 20 de novembro, dia da Consciência Negra se tornou feriado que tem como objetivo tornar a data um dia de reflexão não só sobre a história do líder Zumbi, mas também sobre as condições de vida do negro brasileiro nos dias de hoje.
Zumbi - A história
Zumbi nasceu livre em Palmares, Pernambuco, no ano de 1655, mas foi capturado e entregue a um missionário português quando tinha aproximadamente seis anos. Batizado "Francisco", Zumbi recebeu os sacramentos, aprendeu português e latim, e ajudava diariamente na celebração da missa. Apesar das tentativas de torná-lo "civilizado", Zumbi escapou em 1670 e, com quinze anos, retornou ao seu local de origem. Zumbi se tornou conhecido pela sua destreza e astúcia na luta e já era um estrategista militar respeitável quando chegou aos vinte e poucos anos.
Por volta de 1678, o governador da Capitania de Pernambuco cansado do longo conflito com o quilombo de Palmares, se aproximou do líder de Palmares, Ganga Zumba, com uma oferta de paz. Foi oferecida a liberdade para todos os escravos fugidos se o quilombo se submetesse à autoridade da Coroa Portuguesa; a proposta foi aceita. Mas Zumbi olhava os portugueses com desconfiança. Ele se recusou a aceitar a liberdade para as pessoas do quilombo enquanto outros negros eram escravizados. Ele rejeitou a proposta do governador e desafiou a liderança de Ganga Zumba. Prometendo continuar a resistência contra a opressão portuguesa, Zumbi torna-se o novo líder do quilombo de Palmares.
Quinze anos após Zumbi ter assumido a liderança, o bandeirante paulista Domingos Jorge Velho foi chamado para organizar a invasão do quilombo. Em 6 de fevereiro de 1694 a capital de Palmares, Macaco, foi destruída e Zumbi ferido.
Apesar de ter sobrevivido, foi traído por Antonio Soares.Zumbi é surpreendido pelo cap. Furtado de Mendonça em seu reduto (talvez a Serra Dois Irmãos).Apunhalado, resiste, mas é morto com 20 guerreiros quase dois anos após a batalha, em 20 de novembro de 1695.
Teve a cabeça cortada, salgada e levada, com o pênis dentro da boca ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta em praça pública, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da imortalidade de Zumbi.
Em 14 de março de 1696 o governador de Pernambuco Caetano de Melo e Castro escreveu ao Rei: "Determinei que pusessem sua cabeça em um poste no lugar mais público desta praça, para satisfazer os ofendidos e justamente queixosos e atemorizar os negros que supersticiosamente julgavam Zumbi um imortal, para que entendessem que esta empresa acabava de todo com os Palmares."
Zumbi é hoje, para a população brasileira, um símbolo de resistência. Em 1995, a data de sua morte foi adotada como o dia da Consciência Negra.
Fonte: mundonegro.com.br
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
FÓRUM NACIONAL DE JUVENTUDE NEGRA
O Fórum Nacional de Juventude Negra é uma construção que vem se dando paralelo ao Encontro Nacional de Juventude Negra. Constitui em uma organização composta por jovens negros (as), estruturada de forma plural, suprapartidária, afrocentrada e sem vínculos religiosos. A iniciativa visa manter uma articulação permanente entre os (as) jovens negros e negras, garantindo a autonomia das articulações estaduais com iniciativas regionais.
O Fórum Nacional de Juventude Negra consiste em um espaço de diálogo e aglutinação de grupos, movimentos, organizações e articulações de juventude negra, e demais jovens negros (as) interessados na organização e articulação nacional desta juventude, com perspectivas de ação e intervenção social. O Fórum assumirá um papel ativo e propositivo, visando uma atuação que respeite as diferenças e especificidades, fomentando a inclusão de jovens das periferias e comunidades socialmente excluídas dos processos de participação social, procurando consolidar este espaço como rede de informação e referências, na identificação dos desafios dos grupos (as) negros (as) juvenis e na construção de diretrizes voltadas às políticas públicas e às proposições para o plano de ação da juventude negra.
A iniciativa deste Fórum possibilitará o amadurecimento de idéias e argumentos, a geração de conhecimentos, o estímulo à participação cidadã, protagonismo e o empoderamento juvenil negro. O Fórum Nacional de Juventude Negra consolidará a existência de Fóruns Estaduais, para firmar-se como uma articulação nacional, procurando garantir uma intervenção qualificada em relação aos temas e demandas relacionados a população negra e jovem.
Dentre os objetivos do Fórum Nacional de Juventude Negra, destacam-se:
- Garantir um espaço de aglutinação e dialogo da juventude negra;
- Constituir um espaço continuo de formação e atuação politica;
- Promover o intercâmbio entre os grupos, coletivos, organizações e indivíduos atuantes da juventude negra;
- Socializar experiências e ações da juventude negra entre os participantes;
- Articular e promover a participação política e social dos participantes.
- Acompanhar, implementar e coordenar as ações apontadas pelos resultados do Encontro Nacional de Juventude Negra – ENJUNE.
- Elaborar uma plataforma de propostas para a juventude negra.
- Ampliar espaços de participação, estabelecer relações e parcerias com movimentos e entidades civis organizadas e instituições governamentais e internacionais.
- Articular e Fortalecer a atuação das organizações e militantes negros juvenis nos estados.
- Desenvolver campanhas direcionadas para a juventude negra.
- Fomentar, por todas as suas instâncias e meios, a democratização das discussões relativas à raça/etnia, igualdade racial de oportunidades;
- Incentivar as discussões sobre demandas relativas à juventude negra a todos os segmentos da sociedade;
- Fomentar o desenvolvimento da capacidade de geração de informação relativa à juventude negra a todas as entidades e indivíduos que compõem os movimentos sociais;
- Favorecer uma ampla participação de todos os setores da juventude negra e do movimento negro como um todo na formulação de políticas públicas de juventude com diretrizes para a juventude negra;
- Intervir e atuar políticamente nos órgãos ligados a área étnico/racial e de juventude.
- Fomentar a capacitação de jovens negros para a leitura crítica das relações raciais, a partir da analise da conjuntura social;
- Estimular a elaboração teórica, técnico-científica e política sobre a juventude negra;
- Estimular o desenvolvimento de sistemas de comunicação que fortaleçam a interlocução entre a juventude negra.
O Fórum Nacional de Juventude Negra realizar as seguintes atividades:
- Desenvolver pesquisas, especialmente qualitativas, nas áreas social, política, cultural e econômica;
- Organizar, promover, apoiar e realizar cursos, seminários, debates e treinamentos, regulares ou intensivos;
- Confeccionar portal eletrônico e/ou site multimídia.
- Imprimir, confeccionar e reproduzir material didático, revistas, jornais, folhetos e impressos, de acordo com as suas finalidades;
- Produzir obras audiovisuais, cinematográficas ou de multimídia, bem como programas de televisão;
- Idealizar exposições, festivais, espetáculos e atividades culturais;
- Conceder prêmios a autores, artistas, escritores, técnicos de arte, espetáculos musicais e de artes cênicas ou produções e programas de televisão e rádio, obras de vídeo, filmes ou multimídia e concursos e festivais realizados no Brasil;
- Construir, organizar, equipar, manter ou formar arquivos, banco de dados ou bibliotecas de uso público sobre juventude negra;
- Construir atividade políticas que tratem das especificidades da população negra e de sua juventude.
Participantes e composição:
O Fórum Nacional de Juventude Negra será composto por os seguintes seguimentos:
- Jovens negros, de 15 a 29 anos;
- Organizações da juventude negra;
- Órgãos e entidades da sociedade civil que trabalhem nas áreas étnico/racial e de juventude, através de representação.
Deverá ser garantida a participação de jovens quilombolas em todas as instâncias do Fórum.
Será obrigatória a garantia da proporcionalidade de gênero.
Plataformas do Fórum Nacional de Juventude Negra
A Plataforma do Fórum Nacional de Juventude Negra consiste nas propostas construídas durante o processo do Encontro Nacional de Juventude Negra, ocorrido em Lauro de Freitas – Bahia, em julho de 2007. Esta Plataforma representa os principais pontos que direcionam a atuação do Fórum e se guiará pelas deliberações do Encontro Nacional de Juventude Negra – ENJUNE.
Programa de Ação
O Programa de Ação de Forum é um instrumento de planejamento que visa definir as diretrizes e as principais ações para o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial de oportunidades.
O programa será construído por meio das articulação que envolve o processo do Fórum Nacional de Juventude Negra, sob supervisão da Coordenação Nacional.
Manifesto nacional
Documento representativo da juventude negra que sirva como paradigma para as ações e intervenções desta juventude, estabelecendo um posicionamento político e apontando perspectivas para a intervenção.
Estrutura e funcionamento do Fórum Nacional de Juventude Negra
O Fórum Nacional de Juventude Negra estrutura-se conforme abaixo. Consistindo fundamentalmente na articulação de segmentos da juventude negra e entidades negras.
A sua principal instância de decisão é a Coordenação Nacional, que consiste nos conjunto dos representantes dos Fóruns estaduais, na proporção de 2 representantes por estado.
Coordenação Nacional
A coordenação Nacional terá por finalidade executar as ações deliberadas pelo conjunto do Fórum e é composta da seguinte forma:
Conselho Interlocutor
Faz a interlocução Fórum Nacional de Juventude Negra com a SEPPIR e outros órgãos nacionais ligados a políticas de promoção da igualdade racial de oportunidades.
Este conselho consiste parte integrante da Coordenação Nacional, sendo composto por coordenadores nacionais e representantes estaduais.
Secretaria Executiva
Garante o suporte administrativo e logístico aos trabalhos do Fórum Nacional de Juventude Negra, propiciando a comunicação entre as instâncias e a operacionalizaçã o de reuniões e eventos.
A Secretária Executiva será apoiada por uma comissão de acompanhamento composta por membros da Coordenação Nacional.
Coordenadoria de Organização
- Identificar parceiros estratégicos do Forum Nacional de Juventude Negra;
- Mapear parcerias com instituições públicas e privadas;
- Elaborar projetos de intervenção e encaminhá-los aos conjunto do Forum;
Coordenadoria de Finanças
- Mapear parceiros e apoiadores para garantir patrocínio ou financiamento junto a instituições públicas e privadas;
- Determinar dentre os seus membros um (a) tesoureiro (a) que tenha as seguintes atribuições e responsabilidades:
a) Controle do Livro Caixa;
b) Controle das Receitas e Despesas;
c) Pagamentos Diversos;
d) Controle das notas, recibos e comprovantes;
e) Prestar contas a Coordenação Nacional, através de relatórios periódicos ou quando solicitado pela mesma, bem como manter a responsabilidade sobre todas as operações financeira do Forum Nacional de Juventude Negra.
Coordenadoria de Comunicação
- Criar mecanismos de comunicação do Forum Nacional de Juventude Negra;
- Apresentar instrumentos e mecanismos de divulgação do Forum;
- Criação e manutenção de uma Rede de Comunicação da Juventude Negra;
- Orientar as atividades de Comunicação Social do Forum;
- Promover os registros e coberturas dos principais momentos do Forum, visando à divulgação, bem como o arquivamento da memória de suas atividades;
Coordenadoria de Articulação e Mobilização
- Articular a organização de Forum Estaduais, Regionais e Municipais de Juventude Negra;
- Incentivar a organização e realização dos atividades voltadas a juventude negra;
- Dialogar com organizações e atuantes da juventude negra, de forma que componham o Fórum;
- Assegurar o encaminhamento dos trabalhos e resoluções do Forum Nacional para as instancias estaduais, regionais e municipais e para a juventude negra como um todo;
- Localizar e mobilizar as instituições, grupos, coletivos e militantes nos estados e municípios, para a participação efetiva no Forum Nacional de Juventude Negra.
Coordenadoria de Formação
- Promover cursos de formação política;
- Realizar discussões abertas com os representantes do Fórum e demais juventudes negras;
- Dispor de materiais que contribuam na formação política da juventude negra;
- Promover a integração entre os jovens negros e entidades e grupos que fomentam a formação política negra.
Coordenadoria de Eventos e Atividades
- Promover eventos e atividades culturais, políticas e de intervenção social;
- Estabelecimento de calendários voltados para as questões políticas e de interesse da população negra e juventude;
Comissões Temáticas
- Estas comissões têm por finalidade, trabalhar e aprofundar os temas e ações específicas do Fórum Nacional de Juventude Negra e fomentar estes temas na Plataforma do Fórum.
- Estas comissões serão coordenadas por até dois membros da Coordenação Nacional do Fórum, somadas a jovens negros (as) atuantes no Fórum.
As comissões temáticas são:
I – Cultura
II – Segurança, vulnerabilidade e risco social.
III – Educação
IV - Saúde
V - Terra e Moradia
VI - Comunicação e Tecnologia
VII - Religião do povo negro
VIII - Meio ambiente e desenvolvimento sustentável
IX - Trabalho
X – Intervenção social nos espaços políticos
XI - Reparações e ações afirmativas
XII - Gênero e feminismo
XIII – Identidade de gênero e orientação sexual
XIV – Inclusão de pessoas com deficiência
Coordenações Estaduais
Terão por finalidade executar as ações deliberadas pelo Fórum Estadual.
A Coordenação Estadual será composto por coordenadores eleitos, seguindo as orientações organizacionais do Fórum Nacional de Juventude Negra e respeitando as especificidades regionais.
Admissão ao Fórum Nacional de Juventude Negra:
A admissão ao Fórum se dará respectivamente por solicitação do(a) interessado( a) à Coordenação Nacional para deferimento.
Direitos dos membros do Fórum:
- Utilizar-se dos serviços oferecidos pelo Fórum, na forma estabelecida pela Coordenação;
- Propor nomes para integrar a Coordenação do Fórum;
- Encaminhar propostas à Coordenação, visando à implantação de medidas de interesse do Fórum e das lutas a juventude negra;
- Alertar a Coordenação sobre fatos que atentem contra a imagem e o nome do Fórum ou contra a sua administração;
- Retirar-se do Fórum livremente, devendo formalizar sua decisão à Coordenação.
- É direito do membro, sempre que for justificado, solicitar que suas posições, quando derrotadas, sejam ressalvadas nas manifestações públicas do Fórum;
- A participação dos membros do Fórum se dará através de representação.
- Votar e ser votado na escolha da Coordenação
- O interessado deverá obrigatoriamente atuar dentro das articulações do Fórum Estadual.
Deveres dos membros do Fórum:
- Respeitar e cumprir as deliberações da Coordenação, bem como as resoluções das Plenárias Nacionais;
- Zelar pelo nome e imagem do Fórum e colaborar para a consecução dos seus objetivos;
- Comunicar a Coordenação fatos do seu conhecimento que possam atentar ou obstruir os direitos e conquistas da juventude negra.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Lei Maria da Penha

Quilombos e o medo da Elite Brasileira

(Leia e tire sua própria conclusão: http://livro-quilombola.blogspot.com/)
Suas idéias partem de princípios elitistas e preconceituosos, pois sua verdadeira preocupação não são as pessoas, e o direito de sobrevivência, dignidade e igualdade social, mas o da “propriedade”.A propriedade, que no Brasil, se construiu a partir da expropriação de populações indígenas, e prosperou com a mão de obra escrava do africano.A propriedade que permaneceu intocada durante o processo de abolição legal da escravidão, fazendo com que milhões de pessoas saíssem da condição de escravo pra de “sem-terra”, “sem-teto”, “sem-emprego”....Marginalizados!O discurso dos mega-proprietários de terra no Brasil se repete como sempre...O discurso aprendido com os burgueses da Revolução Francesa, e muito mais pelos emancipados da Colônia Norte-Americana no Século XVII:“A Propriedade é um bem Inalienável, garantido pela lei, pela constituição”...Pelo que chamam de “Estado de Direito”.Direito de quem????Quem deu esse Direito ao proprietário???Por que o Estado de Direito garante o Direito do Proprietário se os “Não-Proprietários” são tão gente quanto eles???E de onde veio essa propriedade???Quem foi que permitiu que um grupo de pessoas se apossasse de uma determinada porção da natureza pra fazer de seu uso exclusivo/privado?O Estado???E quem deu ao Estado o direito de decidir quem poderia ser proprietário de determinada porção da natureza????Embora a memória coletiva do brasileiro seja um tanto enfraquecida (o que me parece bem proposital), creio que precisamos fazer algumas observações históricas pertinentes aqui:
O que o movimento “Paz no Campo” e as críticas contra o decreto que garante a posse de determinadas porções de territórios, estão querendo, na verdade, é difundir idéias que confundam a população, utilizando-se de conceitos como “o direito perante a lei”, “raça brasileira”, “harmonia entre os povos”....O que esse discurso esconde, de fato, é uma realidade há muito injusta, pois quando os descendentes de africanos tiveram seus corpos libertos pela lei Áurea, da “Dona Izabel”, tentou-se criar um conceito de que o Brasil era composto de um único povo, uma única raça, miscigenada e feliz, e que todos viviam em harmonia.No entanto, os muitos brasis existentes, a desigualdade de direitos e oportunidades, a exploração dos despossuidos, o uso da mão de obra em condições de semi-escravidão, o coronelismo (Tão presente em lugares como São Mateus, citado pelo autor da entrevista, onde uma elite de proprietários rurais dita as leis, a vida e a morte de toda uma cidade), são marcas de que o processo dessa suposta abolição foi feito com base no MEDO e nos interesses de quem jogou estrategicamente pra não perder sua condição de opressor.É com esse mesmo MEDO, e estratégias manipuladoras, que esses grupelhos de classe média/alta voltam a gritar, receosos de perderem seus privilégios....Receosos de verem as populações negras/quilombolas, orgulhosas e guerreiras, conquistarem um espaço que possa representar para os demais oprimidos, exemplos de que há alternativas à opressão.
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
Procurador Federal conclui que projeto de lei que pretende derrubar o Decreto 4.887 é descabido, improcedente e inconstitucional

Para o parlamentar, a interpretação correta do artigo 68 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias sugere a titulação somente das terras ocupadas atualmente pelos quilombolas, e não das terras que já habitadas por eles no passado.
No entanto, o procurador Walter Rothenburg explica em seu parecer que o artigo 68 da ADCT não necessita de lei para sua aplicabilidade, mas onde esta é exigida, existem diversas normas pertinentes, como a Lei 9.649/98, que atribui ao Ministério da Cultura competência para "aprovar a delimitação das terras dos remanescentes das comunidades dos quilombos" e a Lei 7.668/98, que institui a Fundação Cultural Palmares e lhe dá competência para "realizar a identificação dos remanescentes das comunidades dos quilombos, proceder ao reconhecimento, à delimitação e à demarcação das terras por eles ocupadas e conferir-lhes a correspondente titulação".
Leia aqui a íntegra do parecer.
Em entrevista à Agência Brasil, Colatto afirmou que o decreto presidencial 4.887/03 excedeu qualquer decisão da Constituição. "A Constituição é bem "escura": aos remanescentes das comunidades dos quilombos que estejam ocupando suas terras é reconhecida a propriedade definitiva, devendo estar admitidos os títulos respectivos. O decreto extrapolou isso", disse.
Estranho é que, embora o deputado busque a anulação do decreto, ele não propõe nenhuma outra norma que o substitua.
Leia mais sobre o assunto na Agência Brasil:
http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2007/10/01/materia.2007-10-01.6821946563/view
Walter cita ainda, em seu parecer, que o mais importante "é considerar o tempo transcorrido.

E continua, "isso revela que o projeto de decreto legislativo em questão na verdade insurge-se contra a perspectiva de um reconhecimento efetivo do direito de propriedade aos remanescentes de comunidades de quilombos e não contra a validade jurídica do Decreto 4.887".
O parecer contrapõe também, outros argumentos que visam enfraquecer o decreto, como por exemplo, a existência de privilégio, por parte da lei aos quilombolas. Entretanto, o procurador "escurece" que há a ausência de privilégio, já que "é a própria Constituição de 1988 que, originalmente, instituiu um tratamento jurídico diferenciado para os remanescentes das comunidades de quilombos que ocupam ou ocupavam suas terras tradicionalmente, mas não têm título e/ou registro imobiliário. Há o reconhecimento constitucional de uma situação histórica. Regimes jurídicos diferenciados concretizam a igualdade, devendo as situações desiguais ser tratadas de maneira dessemelhante". Afinal, não pode uma comunidade competir com a força do capital de políticos e fazendeiros.
O procurador finaliza seu pensamento escrevendo: "ainda que não se considere a inconstitucionalidade do projeto de decreto legislativo, ele não merece aprovação no mérito. Cabe ao Congresso Nacional, isto sim, afirmar a qualidade do Decreto 4.887/2003", que oferece um procedimento apropriado de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos; permite a materialização do art. 68 ADCT e assegura, assim, um direito reconhecido pela Constituição Federal, mas que mal tem sido implementado; além de responder ao compromisso internacional assumido pelo Brasil ao ratificar a Convenção 169 da OIT.
Walter Claudius Rothenburg é Procurador Regional Federal e compõem o Grupo de Trabalho sobre Quilombos, Povos e Comunidades Tradicionais da 6ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal.
domingo, 14 de outubro de 2007
UMA REFLECÇÃO SOBRO O PAN-AFRICANISMO

Abisogun Olatunji Oduduwa
AUTOR DA NOVELA DUAS CARAS DAR DEPOIMENTO RACISTA A FAVOR DE LUCIANO HUCK

“(...) Por conta do seu protesto, o jornal recebeu de volta dezenas de cartas. Nelas o mínimo que se dizia a respeito de Huck é que ele merecera ser assaltado, por fazer parte da atualmente execrada no Brasil "elite branca", e por carregar no braço um relógio (...), cujo preço era o equivalente ao de dezenas de casas populares”, diz o novelista.
Em seguida, Aguinaldo conta um curioso episódio envolvendo um assalto que sofreu e que posteriormente negociou a devolução de seus pertences com o bandido:
“Eu também já tive um Rolex roubado. Foi ali no Quebra-Mar, diante da antiga barraca da dona Augusta, eu dentro do carro e o assaltante do lado de fora com um revólver 38. Sob ameaça eu lhe entreguei tudo que levava comigo, incluindo o Rolex e o telefone Motorola que então chamavam de VIP. Liberado, corri para casa, peguei o telefone convencional e liguei para o VIP. O assaltante atendeu e eu lhe fiz uma proposta: "vamos negociar o Rolex?"
E não é que o bandido topou?
“ (...) durante um encontro marcado sob determinadas condições de segurança, e sem barganha, readquiri quase a preço de loja o meu próprio relógio. E aproveitei para fazer algumas perguntas ao assaltante. Uma delas foi: "por que você faz isso?"Ele me respondeu: "estou desempregado a três anos cara, e tenho um filho que sofre de câncer na medula! Fiquei com tanta pena do sujeito que quase lhe devolvi o Rolex sem pedir o meu dinheiro de volta. Mas, antes que fizesse isso, ele deu uma risada desdenhosa e me perguntou: "mas que otário tu é? Não vai dizer que acreditou nessa história..." Naquela hora, eu pensei - juro a vocês: "ah, se eu tivesse uma arma... Mas se a tivesse claro que não faria nada, pois não tenho aquele instinto de matar próprio de algumas pessoas (...)”
Em seguida, o novelista sai em defesa de Luciano Huck:
“Sim, Luciano Huck faz parte da "elite branca", e sob nenhuma hipótese deve se envergonhar disso. Ele faz parte dela porque trabalha de sol a sol, e paga altíssimos impostos, sem os quais a "elite preta", não muito chegada ao trabalho, não estaria recebendo as benesses da bolsa família. (e não me chamem de racista, por favor, não estou falando de negros, estou falando da oposição aos que são como o nosso querido Huck).”
sábado, 13 de outubro de 2007
Pele Negra e seus cuidados

domingo, 7 de outubro de 2007
CUFA apresenta o Mundo Mágico do Hip Hop

O evento já faz parte do calendário cultural do Rio de Janeiro e reúne os maiores nomes da cena hip hop do Brasil, agregando sempre atrações internacionais de peso. Este ano, grande parte da programação será realizada na Lapa, principal cartão postal da cidade.
Nesta oitava edição, o Circo será o grande tema desta festa. Já está disponível no site o calendário dos eventos simultâneos do Hutúz que compreendem intervenções de grafite, campeonatos de basquete, shows, feira, seminários, cinema e o tão esperado Prêmio Hutúz.
Na premiação deste ano, além das categorias habituais, foi incluída uma premiação para o Melhor site de Grupo de Rap.
Mais informações: http://www.hutuz.com.br/
sábado, 6 de outubro de 2007
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Gostando Mais de Nós Mesmos

Preço: R$ 25,00 (vinte e cinco reais) - esgotado
Mandela, 89 anos
O líder Nelson Mandela
(Fundação Palmares) A luta é minha vida. No último dia 18 de julho, comemoramos os 89 anos

Como jovem estudante de Direito, Mandela se envolveu na oposição ao regime do apartheid, o qual negava aos negros (maioria da população) direitos políticos, sociais e económicos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (conhecido no Brasil pela sigla portuguesa, CNA, e em Portugal pela sigla inglesa, ANC) em 1942, e dois anos depois fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo (entre outros) uma organização mais dinâmica, a Liga Jovem do ANC/CNA.
Trajetória política: luta pela liberdade
Depois da eleição de 1948 dar a vitória aos africâners Partido Nacional apoiantes da política de segregação racial, Mandela tornou-se activo no CNA, tomando parte do Congresso do Povo (1955) que divulgou a Carta da Liberdade - documento contendo um programa fundamental para a causa antiapartheid. Comprometido de início apenas com actos não violentos, Mandela e seus colegas aceitaram recorrer às armas após o massacre de Sharpeville (março de 1960), quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, desarmados, matando 69 pessoas e ferindo 180 - e a subsequente ilegalidade do CNA e outros grupos antiapartheid.
Em 1961 tornou-se comandante do braço armado do CNA, o chamado Umkhonto we Sizwe ("Lança da Nação", ou MK), fundado por ele e outros. Mandela coordenou uma campanha de sabotagem contra alvos militares e do governo, fazendo também planos para uma possível guerrilha se a sabotagem falhasse em acabar com o apartheid; também viajou em coleta de fundos para o MK, e criou condições para um treinamento e atuação paramilitar do grupo. Em agosto de 1962 Nelson Mandela foi preso após informes da CIA à polícia sul-africana, sendo sentenciado a cinco anos de prisão por viajar ilegalmente ao exterior e incentivar greves. Em 12 de junho de 1964 foi sentenciado novamente, dessa vez a prisão perpétua ( apesar de ter escapado de uma pena de enforcamento), por planejar acções armadas, em particular sabotagem (o que Mandela admite) e conspiração para ajudar outros países a invadir a África do Sul (o que Mandela nega). No decorrer dos vinte e seis anos seguintes, Mandela se tornou de tal modo associado à oposição ao apartheid que o clamor "Libertem Nelson Mandela" se tornou bandeira de todas as campanhas e grupos anti-apartheid ao redor do mundo.
Enquanto estava na prisão, Mandela enviou uma declaração para o CNA (e que viria a público em 10 de Junho de 1980) em que dizia: "Unam-se! Mobilizem-se! Lutem! Entre a bigorna que é a ação da massa unida e o martelo que é a luta armada devemos esmagar o apartheid!" Recusando trocar uma liberdade condicional pela recusa em incentivar a luta armada (Fevereiro de 1985), Mandela continuou na prisão até Fevereiro de 1990, quando a campanha do CNA e a pressão internacional conseguiram que ele fosse libertado em 11 de fevereiro, por ordem do presidente Frederik Willem de Klerk. O CNA também foi tirado da ilegalidade. Nelson Mandela e Frederik de Klerk dividiram o Prémio Nobel da Paz em 1993.
Como presidente do CNA (de julho de 1991 a dezembro de 1997) e primeiro presidente negro da África do Sul (de maio de 1994 a junho de 1999), Mandela comandou a transição do regime de minoria no comando, o apartheid, ganhando respeito internacional por sua luta em prol da reconciliação interna e externa. Alguns radicais ficaram desapontados com os rumos de seu governo, entretanto; particularmente na ineficácia do governo em contar a crise de disseminação da SIDA. Mandela também foi criticado por sua amizade próxima para com líderes como Fidel Castro (Cuba) (Fidel se opôs ferranhamente ao apartheid, ao contrário dos EUA) e Muammar al-Gaddafi (Líbia), a quem chamou de "irmãos das armas". Sua decisão em invadir o Lesoto, para evitar um golpe de estado naquele país, também é motivo de controvérsia.
Caminhadas pela paz
Após o fim do mandato de presidente, em 1999, Mandela voltou-se para a causa de diversas organizações sociais e de direitos humanos. Ele recebeu muitas distinções no exterior, incluindo a Ordem de St. John, da rainha Isabel II, e a Medalha presidencial da Liberdade de George W. Bush. Ele é uma das duas únicas pessoas de origem não-indiana a receber o Bharat Ratna - distinção mais alta da Índia - em 1990. (A outra pessoa não-indiana é a Madre Teresa de Calcutá.) Em 2001 tornou-se cidadão honorário do Canadá e também um dos poucos líderes estrangeiros a receber a Ordem do Canadá. Em 2003, Mandela fez alguns pronunciamentos controversos, atacando a política externa do presidente estadounidense Bush. No mesmo ano, ele anunciou seu apoio à campanha de arrecadação de fundos contra a SIDA chamada 46664 - número que lembra a sua matrícula prisional.
Em junho de 2004, aos 85 anos, Mandela anunciou que se retiraria da vida pública. Sua saúde tem sofrido abalos nos últimos anos e ele deseja aproveitar o tempo que lhe resta com a família. Fez uma exceção, no entanto, por seu compromisso em lutar contra a SIDA. Naquele mesmo mês ele viajou para a Indonésia, a fim de discursar na XV Conferência Internacional sobre SIDA. Em Novembro de 2006, foi premiado pela Anistia Internacional com o prêmio Embaixador de Consciência 2006 em reconhecimento à liderança na luta pela proteção e promoção dos direitos humanos.
Família
Nelson Mandela casou-se três vezes. A primeira esposa de Mandela foi Evelyn Ntoko Mase, da qual se divorciou em 1957 após 13 anos de casamento. Depois casou-se com Winie Madikizela, e com ela ficou 38 anos, divorciando-se em 1996, com divergências políticas entre o casal vindo a público. No seu 80º aniversário, Mandela casou-se com Graça Machel, viúva de Samora Machel, antigo presidente moçambicano e aliado do CNA.
Viver Nelson Mandela
Organizador do livro Mandela: Retrato Autorizado, o professor e político sul-africano Mac Maharaj destacou, em recente visita ao Brasil, quando palestrou no Seminário Diversidade Cultural, em junho último em Brasília, destacou em entrevista ao boletim eletrônico Informe Palmares o que representou para ele conviver com Nelson Mandela. Para Mac Maharaj, "Mandela lhe deu a liberdade e lhe incentivou a buscá-la. Foi um grande privilégio viver por 12 anos na prisão com Mandela e aprender com ele, tê-lo como mentor e aprender as verdadeiras qualidades de um líder, que podem ser resumidas em uma palavra: um verdadeiro líder é um servidor do povo".
Frases de Nelson Mandela:
Sinto-me como um jovem de 50 anos.
Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar.
Ainda há gente que não sabe, quando se levanta, de onde virá a próxima refeição e há crianças com fome que choram.
Eu faço tudo isso em nome dos principios morais, segundo os quais nao podemos abandonar aqueles que nos ajudaram nos momentos mais sombrios da historia do nosso pais.